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> <channel><title>Aldeia Planetária</title> <atom:link href="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/feed" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.aldeiaplanetaria.com.br</link> <description>Saúde, Meio Ambiente, Cultura Alternativa</description> <lastBuildDate>Thu, 26 Jan 2012 19:42:48 +0000</lastBuildDate> <language>en</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator> <item><title>Utopias no Brasil de 1985</title><link>http://www.aldeiaplanetaria.com.br/jornal-outra/comunidades-alternativas/utopias-brasil-1985</link> <comments>http://www.aldeiaplanetaria.com.br/jornal-outra/comunidades-alternativas/utopias-brasil-1985#comments</comments> <pubDate>Thu, 19 Jan 2012 02:20:46 +0000</pubDate> <dc:creator>Redação</dc:creator> <category><![CDATA[comunidades]]></category> <category><![CDATA[agrotóxicos]]></category> <category><![CDATA[cooperativismo]]></category> <category><![CDATA[educação]]></category> <category><![CDATA[ENCA]]></category> <category><![CDATA[utopias]]></category> <category><![CDATA[vida natural]]></category> <guid
isPermaLink="false"></guid> <description><![CDATA[1985: ambientalistas, terapeutas, agricultores orgânicos e outras tribos formam grupos de trabalho temáticos para discutir a construção de um país melhor. Entre as conclusões, utopias válidas até hoje, assim como caminhos que efetivamente se tornaram realidade.]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p></p><p
class="destaque">Durante o IX Encontro Nacional de Comunidades Alternativas, em 1985, ambientalistas, terapeutas, gestores de cooperativas, agricultores orgânicos e outros membros de tribos alternativas formaram grupos de trabalho temáticos e discutiram propostas para construir um país melhor. As conclusões apontam utopias válidas até hoje, assim como alguns caminhos que efetivamente se tornaram realidade.</p><p>Eis as conclusões dos diversos grupos de trabalho:</p><h3>Saúde e alimentação natural</h3><p>Afirmando que o estado de saúde depende de uma correta observância das leis da natureza, o relatório preconiza hábitos saudáveis de alimentação natural, respiração, higiene e práticas de pensamento que levem ao crescimento interior. No âmbito social, prega a formação de agentes de saúde alternativa para atuação na comunidade, a criação de uma central de informações para coleta das diferentes técnicas populares de cura existentes no Brasil e a difusão destas técnicas através de pacotes culturais oferecidos a instituições governamentais, empresas e grupos comunitários.</p><div
id="attachment_332" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"> <a
href="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/gt-educacao-enca85.jpg"><img
class="size-full wp-image-332" title="gt-educacao-enca85" src="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/gt-educacao-enca85.jpg" alt="GT de educação no IX Encontro Nacional de Comunidades Alternativas" width="500" height="311" /></a><p
class="wp-caption-text">GT de Educação. No grupo, o professor Octávio Ulysséa, que mais tarde fundaria a Faculdade Espírita de Curitiba.</p></div><h3>Educação</h3><p>Com a afirmação de que o conhecimento deve ser uma síntese da ciência, da arte, da filosofia e da religião, o grupo enfatiza o papel da escola como centro de geração, e não apenas de repasse de saber. A didática deve ser estruturada para eliminar o Ego e unificar o movimento alternativo. O conhecimento técnico-científico gerado pelas práticas alternativas deve ser coletado e organizado por um centro a ser criado para este fim. O relatório defende ainda uma educação esclarecedora dos momentos que passamos, levando em conta todas as indicações de que a sociedade vive, hoje, um momento de crise e de fim de um ciclo.</p><h3>Agrotóxicos</h3><p>No mais técnico de todos os documentos do Encontro, o grupo identificou três causas para a sucessão de mortes de agricultores e envenenamento de consumidores provocados por agrotóxicos: a falta de conhecimento de técnicas agrícolas suaves, o desconhecimento das verdadeiras causas das pragas e doenças vegetais e a facilidade de aquisição de produtos tóxicos. Como soluções, enumera uma extensa lista de sugestões, que vão desde a proibição de venda de agrotóxicos sem receituário agronômico, com punições previstas em código penal nos casos de descumprimento, até a inclusão da questão ambiental na pauta da Constituinte.</p><h3>Cooperativismo</h3><div
id="attachment_325" class="wp-caption alignright" style="width: 300px"> <a
href="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/cooperativismo-enca84.jpg"><img
class="size-full wp-image-325" title="cooperativismo-enca84" src="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/cooperativismo-enca84.jpg" alt="Cooperativismo no VIII Enca - São Lourenço, 1984." width="300" height="207" /></a><p
class="wp-caption-text">A defesa do cooperativismo sempre esteve presente nos ENCAS. Em 1984, no encontro de São Lourenço, a equipe  da COOVIDA, do Rio de Janeiro, estende a faixa com apoio de membros de comunidades da região de Visconde de Mauá.</p></div><p>Os representantes de cinco cooperativas ecológicas afirmaram que o cooperativismo e o alternativismo pressupõem a cooperação entre todos os homens, sem distinções, irmanados num movimento econômico e social que vise à manutenção material com o mínimo indispensável: “É a cooperação, e não a competição imposta pelo delírio consumista, que permite a evolução dos seres humanos. As cooperativas reciclam todos os materiais, inclusive o lixo (lixo é luxo!). O trabalho deve ser autogestionado, comunitário, com funções rotativas, e pressupõe a responsabilidade participativa e democrática. O trabalho manual tem o mesmo valor do intelectual quando há rotatividade nas funções.&#8221; O relatório defende ainda o resgate das culturas locais através de pesquisas e experimentações constantes, assim como a eliminação do ICM que incide sobre o ato cooperativo. E termina dizendo que “a economia cooperativista abomina as práticas capitalistas onde o homem é mero objetivo para a acumulação do capital. No cooperativismo, o homem é sujeito de sua história e o trabalho e a natureza são valores reais”.</p><h3>Meio Ambiente</h3><p>As 25 entidades representadas aprovaram a elaboração de uma pauta provisória para o I Encontro Nacional de Entidades Ecologistas Não Governamentais, a realizar-se em Belo Horizonte em abril de 1986. Os itens mais importantes são a discussão da forma de organização e luta do movimento ecológico, a participação dos ecologistas na Constituinte, a problemática da forma de partido, a crítica ao modelo sócio-econômico do país e o papel da imprensa e das redes de informação como canais do movimento. Decidiu-se também a criação do boletim nacional, cuja primeira edição está na matéria <a
title="Conjuntura ambientalista em 1985" href="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/jornal-outra/meio-ambiente/conjuntura-ambientalista-1985" target="_self">Conjuntura ambientalista em 1985</a>.</p><h3>Imprensa Alternativa</h3><p>As dificuldades de distribuição e a desarticulação entre os diversos órgãos de imprensa alternativa foram os dois maiores problemas identificados pelos representantes de onze diferentes publicações. Diversas ações foram sugeridas, com destaque para a atuação dos jornalistas alternativos como intermediários entre as propostas alternativas e os meios de comunicação de massa, a criação de rádios-pirata voltadas para a conscientização ecológica, a organização de um núcleo de informações com utilização de processamento eletrônico de dados e de uma rede nacional de rádio amador para agilização, a baixo custo, da troca de informações.</p><div
class="alerta"><h3>O que aconteceu depois</h3><p>Salvo engano, o I Encontro Nacional de Entidades Ecologistas Não Governamentais, marcado para 1986, não chegou a acontecer. Contudo, a Constituição de 1988 e a legislação posterior representaram significativos avanços na legislação ambiental (O Brasil tem hoje uma legislação razoável, se bem que raramente cumprida). Quanto à imprensa alternativa, transferiu-se em massa para a internet, muito mais barata e eficaz.</p><p>O professor Octávio Ulysséa, que coordenou o GT de Educação, fundou mais tarde a Faculdade Espírita de Curitiba e faleceu em 11.6.2009, deixando um importante legado para a história da educação com enfoque holístico e transdisciplinar.</p></div><p>&nbsp;</p> <span
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isPermaLink="false"></guid> <description><![CDATA[Em 1984 OUTRA entrevistou o arquiteto e sensitivo Luiz Gonzaga Scortecci de Paula, criador do Projeto Alvorada. O projeto, que mobilizou muita gente a partir de 1981, era construir Estações Celestes em regiões elevadas do Brasil, onde seriam desenvolvidas uma economia de subsistência, contatos com OVNIs e estruturas de sustentação para os sobreviventes da grande catástrofe do fim do século. ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p></p><p
class="destaque">Um entrevista com o arquiteto e sensitivo Luiz Gonzaga Scortecci de Paula, criador do <strong>Projeto Alvorada</strong>, lançado em 1981. A proposta inicial era construir doze Estações Celestes em regiões elevadas do Brasil, onde seriam desenvolvidas uma economia de subsistência, contatos com OVNIs e estruturas de sustentação para os sobreviventes da grande catástrofe do fim do século.</p><div
id="attachment_338" class="wp-caption aligncenter" style="width: 418px"> <a
href="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/luizgonzaga84.jpg"><img
class="size-full wp-image-338" title="luizgonzaga84" src="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/luizgonzaga84.jpg" alt="Luiz Gonzaga Scortecci de Paula" width="418" height="606" /></a><p
class="wp-caption-text">O sensitivo Luiz Gonzaga Scortecci de Paula em palestra no VIII ENCA, em São Lourenço, 1984.</p></div><p>Abril de 1981: a revista <em>Planeta</em> dedica sua reportagem de capa à apresentação do Projeto Alvorada, idealizado pelo arquiteto e sensitivo Luiz Gonzaga Scortecci de Paula. A reportagem era um chamamento a todos os que queriam participar de uma nova era através da construção de doze <strong>Estações Celestes</strong> em regiões elevadas do interior do Brasil. Um detalhado mapa indicava as áreas que seriam submersas pelas águas e definia os locais adequados à localização das Estações.</p><p>Luiz Gonzaga condenava os desvarios da civilização materialista e a inviabilidade das grandes concentrações urbanas. Em novembro de 81, <em>Planeta</em> voltou ao tema. Luiz Gonzaga afirma que o projeto existia para “avisar das coisas que virão”, que havia “um plano concreto, uma proposta que deve ser executada e anunciava que 82 seria “um ano de obras físicas, de construção de abrigos”. A mensagem mexeu com muita gente: surgiram grupos em várias cidades e um intensivo programa de trabalho foi posto em prática. Meses depois, já conhecido nacionalmente, Luiz Gonzaga foi vítima de um programa maldoso da TV Globo, que apresentou-o como uma espécie de profeta maluco do Apocalipse. Por causa de sua propaganda alarmista – diziam – velhinhas apavoradas vendiam seus apartamentos à beira-mar e refugiavam-se no Planeta Central. Gente do meio alternativo acusava-o de expor-se ingenuamente ao ridículo. 82 passou e o Apocalipse não veio. As notícias sobre o Projeto tornaram-se mais escassas e muita gente acreditou-o desativado. Mas nada disso aconteceu. Nesta entrevista, obtida em São Paulo, no final de 84, Luiz Gonzaga mostrou que o Projeto está mais vivo que nunca e faz uma autocrítica, provando que está vacinado contra todos os abutres que insistem em dizer que a Nova Era é uma utopia irrealizável.</p><p>OUTRA – Quando o Projeto Alvorada foi lançado, em 81, houve muito barulho por causa de tudo que você dizia acerca do fim dos tempos. Você ficou meio mitificado, né? Como é que você encara essa repercussão?</p><p>LUIZ – Existem dois trabalhos: o do Luiz Gonzaga e o Projeto Alvorada. O Projeto está voltado para o fenômeno OVNI mas acabou gerando expectativas muito maiores em relação à questão do fim dos tempos do que a Nova Era. Muita gente que se engajou nessa etapa acabou tendo uma frustração de expectativas, porque queria encontrar um abrigo onde pudesse salvar a própria pele e descobriu que o Projeto não servia exatamente pra isso.</p><p>OUTRA – Houve critérios para o engajamento dos interessados?</p><p>LUIZ – O importante era ver pessoas de índole e formação diferentes partilhando uma experiência comunitária. O mais interesse para mim é observar essa zorra e ver como é que pessoas com visões de mundo tão diferentes começam pouco a pouco a encontrar denominadores comuns. Dentro do Projeto, há muita discussão aberta, muita troca de opinião. Se alguém quiser sair, tem que sair depois de lavar toda a roupa suja em casa.</p><p>OUTRA – Mas, e os critérios?</p><p>LUIZ – O Projeto Alvorada tem um estatuto, com seus objetivos muito bem definidos. A institucionalização dos objetivos é uma coisa importante, no sentido de que as pessoas que vão passando sempre deixam alguma coisa na entidade. Mas o processo de chamamento é individual. As pessoas estão sendo convocadas para uma missão por si mesmas.</p><p>OUTRA – E a questão do excesso de misticismo?</p><p>LUIZ – Eu acho que a vontade divina é de que a gente busque, mesmo que a gente dê com a cabeça em todas as paredes. O excesso de mistificação pode levar a desastres. Seria talvez melhor trabalhar com sensitivos ateus, que tem uma cabeça mais aberta.</p><p>OUTRA – Na prática, como é que a estação começa a existir?</p><p>LUIZ – Cada estação cria antes um escritório de retaguarda na capital. Depois, parte para um escritório numa cidade de porte médio, perto do local escolhido. A partir daí, vem toda uma agitação cultural, com cursos, palestras, etc. Há um trabalho específico, que é o levantamento da casuística ufológica da região e a divulgação dos objetivos do projeto junto à comunidade local. Com isso, conquistam-se pessoas para a causa. Pra vocês terem uma idéia, das duas mil pessoas que já passaram pelo Projeto, sobraram umas cinquenta. A etapa seguinte é o escritório avançado, que cuida do apoio logístico para a instalação física da Estação.</p><p>OUTRA – Como é que anda o trabalho de construção das Estações Celestes?</p><p>LUIZ – Algumas estão no início do processo de formação do seu pessoal e outras já estão nas obras de alvenaria. Os projetos são modulados de forma a permitir que qualquer pessoa possa cumprir a sua parte. Os módulos arquitetônicos são fechados e podem se reproduzir de acordo com o mesmo modelo, como as células na natureza.</p><p>OUTRA – As terras, como é que aparecem? São compradas?</p><p>LUIZ – Não. A gente trabalha com áreas doadas, e isso cria uma demora para o andamento dos planos. Às vezes, na área que nos interessa não aparece nenhum doador e, por outro lado, tem muita gente disposta a doar terras que não apresentam os requisitos mínimos necessários.</p><p>OUTRA – Que requisitos?</p><p>LUIZ – Bom, na hora em que houver algum problema sério nas regiões urbanas do litoral, o pessoal vai fugir pra onde? É lógico que pras áreas férteis do interior, os vales nas proximidades das estradas. A gente dá preferência, por causa disso, às áreas mais altas, de solo pobre, onde haja nascentes de rios e seja possível controlar o problema da poluição. A gente quer as terras que ninguém quer e que, por isso mesmo, acabam sendo as mais seguras para a própria sobrevivência das estações.</p><p>OUTRA – E as estações? Têm funcionamento autônomo?</p><p>LUIZ – Cada uma delas tem uma base jurídica própria. Se alguma delas não corresponder às expectativas e fugir ao espírito do Projeto, a entidade central cassa a “concessão” de funcionamento e desvincula a estação. Essa descentralização não foi benéfica, porque aconteceu de uma forma muito precoce. A entidade central voltou a existir, dessa vez em São Paulo.</p><p>OUTRA – E a retaguarda, como funciona?</p><p>LUIZ – O projeto tem uma burocracia. As pessoas preenchem fichas, informam a respeito de sua documentação. Não há nada de misterioso, a gente não se esconde. Se o SNI quiser ver, está tudo aí.</p><p>OUTRA – Como é que as pessoas que participam do projeto sobrevivem?</p><p>LUIZ – Existem duas formas: uma é a dedicação exclusiva, para as pessoas que vivem o projeto em tempo integral. Eu, por exemplo, vivo hoje apenas dos cursos que dou e da venda de livros. Nos dois primeiros anos, vivi do FGTS e da devolução do Imposto de Renda. A outra fórmula é a do pessoal que tem que conciliar um trabalho ligado à produção do supérfluo com seu trabalho de missão.</p><p>OUTRA – O Projeto Alvorada tem uma preocupação ecologista ostensiva?</p><p>LUIZ – As bandeiras da espiritualização, da paz e da ecologia são tão interdependentes que não há como separá-las. O importante é levar as pessoas a perceber que elas são donas do seu destino. Elas têm que sentir a necessidade e partir para a operacionalização.</p><p>OUTRA – E o seu papel?</p><p>LUIZ – É o de catalizador. Nesse ponto, meus erros foram importantes, pois contribuíram para desmitificar minha figura.</p><p>OUTRA – Conta um pouco de você. Por exemplo, aquela história da tua tese.</p><p>LUIZ – Foi o seguinte: eu estava terminando o curso de Arquitetura e tinha que apresentar uma tese para a banca. O trabalho se chamava Brasília para o ano 2000 e defendia uma metodologia baseada na utilização das informações de sensitivos, que acertam muito mais do que as técnicas de previsão estatísticas. É uma relação de 97% a 100% contra 12%, para vocês terem uma idéia. A apresentação foi um escândalo. Acabou num enorme debate num auditório cheio, com marxistas de um lado e esotéricos do outro, todos malucos. Acabaram me dando a menção máxima porque já não me aguentavam mais.</p><p>OUTRA – Por falar em marxistas, o que você acha da esquerda brasileira?</p><p>LUIZ – Direita e esquerda no Brasil têm, normalmente, os mesmos valores, os mesmos conceitos. Se vão dar ou não uma oportunidade para o povo, não tem a menor importância, pois é o povo que cria suas próprias oportunidades. Além disso, o nosso esforço produtivo está hoje a serviço das demandas dos países desenvolvidos, ajudando a financiar a própria destruição do planeta. Daí, trabalhar pra quê? O negócio é partir para as alternativas. A ideologia aquariana é ver um sujeito por trás da ideologia que ele processa.</p><p>OUTRA – Você se tornou conhecido, antes de tudo, como sensitivo. Mas explica uma coisa: com que entidades você se comunica? São todas extraterrenas? Ou são também desencarnados?</p><p>LUIZ – As entidades que fazem as comunicações não podem ser divididas em intra ou extraterrenas, desencarnadas ou seja lá o que for. Qualquer contato com um ser desta rede é um contato. Inclusive, quando a gente utiliza algum nome, os nomes são dos contatos, não das pessoas envolvidas. Imagine o seguinte: eu mantenho um contato com você, neste momento, e chamo este contato de João. Se eu tiver um contato com você mesmo ou com alguma outra pessoa amanhã, esse novo contato pode se chamar Pedro, entendeu? As comunicações podem ser entendidas de diversas maneiras, de acordo com o nível e com as necessidades de tradução de cada um. A tecnologia avançada não pode ser doada pelos OVNIs, e sim interceptada pelas pessoas que já conquistaram esse nível. Os conceitos são mais antigos que a humanidade e periodicamente são ditos de novo, com nova roupagem.</p><p>OUTRA – Você acredita que esse intercâmbio com os OVNIs é realmente uma evolução natural no caminho civilizatório do homem?</p><p>LUIZ – Claro. O homem está aí pra evoluir. Planetas são lugares de populações primitivas. O homem pertence ao único reino destinado a viver no espaço.</p><p>OUTRA – Quais são os objetivos do Projeto Alvorada na área social?</p><p>LUIZ – Cada comunidade brasileira já teve uma tecnologia muito própria para resolver seus problemas. Essa tecnologia foi perdida e o projeto é uma tentativa de reaglutinação de forças na comunidade, de forma a provar que elas são capazes de suprir sua subsistência.</p><p>OUTRA – Por exemplo?</p><p>LUIZ – Mostrar que a merenda escolar pode ser melhor com a utilização de recursos locais. Que muito do que se jogava fora deve ser dado aos homens, não aos porcos.</p><p>OUTRA – Vocês estão investindo muito tempo em pesquisa de novas tecnologias, né?</p><p>LUIZ – Pelo contrário. Quase não há pesquisa de base. O que há é um rearranjo da tecnologia já existente.</p><p>OUTRA – Você é uma pessoa com boa formação acadêmica. Como é que você se posiciona diante da – digamos assim – comunidade científica “séria?”</p><p>LUIZ – O método científico é um dos métodos, não o único. Coisas que a ciência considera pura superstição funcionam. Numa situação de crise, é o homem do campo, com suas tecnologias caseiras, que vai sobreviver. O ocidental urbanizado tem uma cultura tão complicada e compartimentada que não consegue absorver nada fora do seu sistema de referências.</p><p>OUTRA – O negócio, então, é apelar para a cultura oriental?</p><p>LUIZ – Sou meio avesso à importação excessiva de orientalismos. Aqui no Ocidente, a gente já tem, de uma certa forma, toda a experiência do Oriente. Neste ciclo, a cultura tende a se desgovernar, entrar em caos. O substrato dela vai aflorar, vai reviver nos que reencarnaram no Ocidente.</p><p>OUTRA – Você tem umas idéias a respeito de educação alternativa, né?</p><p>LUIZ – Até agora tem pouco trabalho concreto. O pilar de tudo é a idéia de que criança precisa de criança. Não de adulto. Assim, o reacionarismo da gente não entra tanto na cabeça deles. As crianças estão trazendo informações novas, que os adultos não têm condição de perceber. É muito mais uma educação à base de observação à distância. As crianças já vêm com a mutação e, se a gente “educa”, interrompe o processo.</p><p>OUTRA – O que você tem a dizer a respeito do movimento de comunidades rurais, no Brasil, de uma forma geral?</p><p>LUIZ – Quem sabe só seis palavras, não sabe atender telefone nem conduzir um veículo, não vai construir uma nova civilização. Por isso, o movimento comunitário está se mediocrizando. Por outro lado, as grandes regiões metropolitanas vivem num grande compasso de espera, são uma enorme caixa de necessidades artificiais. A cidade é uma grande safadeza, ela não tem necessidade de existir. São Paulo, por exemplo, é uma ratoeira. Todas as regiões metropolitanas, aliás, são muito vulneráveis. Bastam três dias sem luz elétrica para levar São Paulo ao completo colapso.</p><p>OUTRA – Já dá pra avaliar quais foram os equívocos mais sérios no desenvolvimento do Projeto Alvorada?</p><p>LUIZ – O problema mais grave foi uma política de comunicação social ingênua. A gente subestimou a capacidade das pessoas e ficou assustada com a quantidade e com o nível de informação que elas tinham. Outro erro foi a divulgação sensacionalista feita pela TV Globo, através do <strong>Fantástico</strong>. Fomos, eu e a equipe do programa, para a fazenda Mãe d’Agua, da Comunidade dos Sarvas, lá perto de Belo Horizonte. Gravamos uma entrevista longa, em que as propostas fundamentais do projeto puderam ser bem explicadas. Quando me vi no <strong>Fantástico</strong>, levei um susto: eles haviam feito uma montagem, juntando respostas minhas e perguntas que nem me haviam sido formuladas. Isso comprometeu todo o sentido do depoimento, que acabou ganhando um tom apocalíptico que eu não tive a intenção de colocar. Só não fiz nada na hora porque senti que ainda iria precisar deles. Quero que minhas idéias cheguem a todo mundo. É melhor falar para <strong>Veja</strong> ou <strong>Istoé</strong> do que para revistas alternativas, onde as mesmas pessoas ficam se lendo umas às outras.</p><div
class="alerta"><div
id="attachment_479" class="wp-caption alignleft" style="width: 183px"> <a
href="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/gonzagaaeroportojunho2010.jpg"><img
class="size-full wp-image-479" title="gonzagaaeroportojunho2010" src="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/gonzagaaeroportojunho2010.jpg" alt="Luiz Gonzaga Scortecci de Paula em 2010" width="183" height="183" /></a><p
class="wp-caption-text">Luiz Gonzaga em 2010</p></div><p>25 anos depois</p><p>O Projeto Alvorada, em sua forma original, deixou de existir. Contudo, Luiz Gonzaga Scortecci de Paula continua envolvido em projetos semelhantes, atuando como sensitivo e articulando ações voltadas para a difusão de tecnologias de sobrevivência. No momento, mantém o projeto Arca de Noé, que pode ser encontrado no endereço <a
href="http://arcadenoe.ning.com" target="_blank">http://arcadenoe.ning.com</a>. A foto ao lado é do site.</p></div><p>&nbsp;</p> <span
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isPermaLink="false"></guid> <description><![CDATA[O seminário <strong>Sociedade Alternativa no Brasil e na Alemanha</strong> reuniu em 1985 ambientalistas dos dois países para discutir agrotóxicos, Partido Verde e políticas públicas. O debate, promovido pelo Instituto Goethe, foi levado a cinco capitais.]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p></p><p
class="destaque">Eles são o escritor Joseph Huber, autor do livro <em>Quem Deve Mudar todas as Coisas</em>; o jornalista Thomas Thimme, um dos editores do <em>Taz</em>, jornal alternativo com 40 mil exemplares de tiragem diária: e Beate Nilsson, pedagoga ligada ao movimento feminista. Os três foram trazidos ao Brasil em 1985 pelo Instituto Goethe e participaram, em cinco capitais, do seminário <strong>Sociedade Alternativa no Brasil e na Alemanha</strong>. Aqui, os alemães discutem agrotóxicos e Partido Verde com os deputados Liszt Vieira e Lúcia Arruda (PT-RJ), o ecologista Carlos Minc e o sociólogo José Antônio Dominguez, diretor da Univerta.</p><div
id="attachment_511" class="wp-caption aligncenter" style="width: 400px"> <a
href="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/alemanha_brasil.jpg"><img
class="size-full wp-image-511" title="alemanha_brasil" src="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/alemanha_brasil.jpg" alt="Sociedade Alternativa no Brasil e na Alemanha" width="400" height="256" /></a><p
class="wp-caption-text">Matéria original no jornal em Outra, 1985: Sociedade Alternativa, na Alemanha e no Brasil.</p></div><p>LISZT – Existe uma grande simpatia no meio alternativo brasileiro pelos verdes alemães. Mas não estamos pensando em formar um Partido verde neste momento. O debate sobre a convivência da sua criação está começando agora, e as opiniões andam muito divididas. O que nós temos feito aqui no Rio é a Assembléia do Meio Ambiente, que se reúne uma vez por mês com representantes de grupos ecológicos, partidos políticos e associação de moradores. No momento, estamos discutindo um programa de doze pontos a ser apresentado aos candidatos a prefeito.</p><p>PEPE – Estamos impressionados com a quantidade de pessoas que têm vindo ao seminário e efetivamente desenvolvem projetos econômicos alternativos. Seria interessante discutir as interfaces que existem entre esse fenômeno e as novas tendências político-partidárias. Vejo o PT preocupado com as grandes causas, mas não com os projetos de auto-gestão, ao contrario do que já ocorre com o Partido Verde na Alemanha. Não há no nosso aparato jurídico fórmulas que correspondam à nova realidade econômica que está surgindo.</p><p>HUBER – Qual a diferença entre o PT, os comunistas e os socialistas?</p><p>LISZT – Os comunistas são pró-soviéticos. São uma esquerda ortodoxa. O PSB foi criado agora e ainda é uma incógnita. O PT nasceu de baixo pra cima a partir do movimento sindical, das comunidades de base e de setores da esquerda independente. Existem tendências sindicais, marxistas e também as libertárias, que são aquelas com que eu me identifico. As outras tendências vêem a classe operária como motor da revolução socialista. Os libertários estão ligados a outras causas, como a das feministas, dos ecologistas&#8230;</p><p>HUBER – Por que vários deputados do PT saíram do partido?</p><p>LISZT – Foram expulsos porque decidiram ir ao Colégio Eleitoral votar em Tancredo. Mas deixe-me colocar uma coisa importante: o PT denuncia a exportação de armamentos – o Brasil hoje já é o sexto exportador mundial – e na área sindical há um debate a respeito. Aliás, apareceu em São Paulo um grupo que se auto-intitula Movimento Pacifista Brasileiro. Mas não se trata de um movimento, e sim de um grupo que tem apoio de alguns setores institucionais. Esse grupo não denuncia o armamentismo no Brasil porque a indústria bélica gera empregos. O PT é contra essa posição.</p><p>THIMME – Mas voltando para aquela discussão sobre o Partido Verde&#8230;</p><p>LISZT – Bom, esse debate tem muitos aspectos. É preciso lembrar que no ano que vem tem eleição para a Assembléia Nacional Constituinte. Uma das idéias em discussão é a de eleger deputados comprometidos com a causa ecológica em vários Estados, por vários partidos.</p><p>HUBER – Mas isso não seria oportunismo?</p><p>GUIDO (Assessor do PT) – No Brasil, a plataforma do candidato não é necessariamente a plataforma do partido.</p><p>LISZT – É uma questão cultural. Os partidos no Brasil não funcionam em bloco.</p><p>TRADUTOR – (depois de explicar algumas coisas aos alemães) – Deixa eu me meter nessa discussão. Eu vivi muitos anos na Alemanha e sei que pra eles é difícil entender essa liberdade de posições do parlamento. Lá, o deputado pensa, antes de tudo, de acordo com a visão do partido.</p><p>LISZT – Existe uma segunda idéia que é a de criar o Partido Verde antes da Constituinte. Mas há duas dificuldades: a maior parte do movimento ecológico é contra e, do ponto de vista eleitoral, corre-se o risco de não conseguirmos eleger ninguém. Acho que, num Partido Verde, só o Gabeira teria chances.</p><p>THIMME – Já conversamos no Brasil com muitos grupos, principalmente em Belo Horizonte e Salvador, onde tem muita gente querendo partir para um Partido Verde. Na Alemanha, houve muito investimento de tempo na articulação dos grupos ecológicos. Parece que só agora esse processo está começando no Brasil. Acho que um Partido Verde deve surgir da base e não só com idéias ecológicas, mas também com propostas sociais e econômicas. Parece que aqui ainda não chegou a hora de um Partido Verde. Aliás, é bom frisar que na Alemanha o Partido verde também não é monolítico. Há, por assim dizer, uma esquerda e uma direita ecológicas.</p><p>HUBER – Os outros Partidos Verdes da Europa são muito conservadores. É o caso da Inglaterra, por exemplo.</p><p>CARLOS MINC – No Brasil, temos por volta de 900 grupos ecológicos que envolvem umas 35 a 40 mil pessoas. Acontece que a composição da maturidade política desses grupos é muito heterogênea. A grande maioria não vai além do ativismo em torno de questões mais imediatas e localizadas. Uns poucos vão além e desenvolvem também uma visão de uma sociedade ecológica. E sem grupos ecológicos fortes e organizados não haverá um movimento ecológico representativo, se bem que algumas pessoas acreditam que o partido seria uma alavanca para o movimento. Acontece que, hoje em dia, ecologia dá voto e os oportunistas sempre aparecem.</p><p>LÚCIA ARRUDA – O que eu queria saber é como a luta pelos direitos da mulher está acontecendo na Alemanha.</p><p>BEATE NILSSON – Na década de setenta houve um repensar dos papéis sexuais no movimento alternativo. As mulheres tiveram de lutar muito para garantir o direito de participar, decidir junto. Depois de muitas discussões, chegamos a princípio de proporcionalidade: 50% de todas as comissões eram constituídos por mulheres. Com o tempo as mulheres acabaram virando maioria em todas as representações, o que motivou uma mudança de atitude também nos outros partidos, que foram forçados a valorizar a participação feminina também em suas fileiras.</p><p>GUIDO – Há indústrias químicas alemãs – a Bayer, por exemplo – que disfarçam o fato de não terem um sistema de controle de poluição nas filiais brasileira quando esse sistema já existe na Alemanha. Como é que a gente poderia articular alguma ação conjunta de denúncia?</p><p>THIMME – Uma das razões da nossa viagem foi exatamente essa. Os contatos com o Brasil são poucos e a gente sente que precisa amplia-los. Não faz sentido que o movimento ecológico alemão obtenha vitórias locais se a Alemanha exporta seu lixo industrial para o Terceiro Mundo. Contra a indústria química, por exemplo, só faz sentido uma ação internacional. Na área dos agrotóxicos, é importante articular uma troca de informações que torne possível um boicote em vários países. Eu acho, por sinal, que a gente deveria selecionar três pontos para atuação comum: usinas nucleares, indústria química e poluição e endividamento externo.</p><p>LISZT – Pra dar uma idéia do nível de dificuldades que o ativismo ecológico enfrenta no Brasil, vou dar exemplos: o último ministro da Agricultura da Velha República, Nestor Jost, acumulava este cargo com o de membro do Conselho de Administração da Bayer; eu fui autor de uma lei, aprovada na Assembléia Legislativa do Rio, que proibia a instalação de usinas nucleares no Estado do Rio sem prévia consulta popular. Essa lei foi derrubada no Supremo Tribunal sob a acusação de inconstitucionalidade. Outro exemplo: a FEEMA quis interditar uma obra na Lagoa de Araruama – um aterro para a construção de seiscentas casas de veraneio – mas o banco estadual, que é um órgão vinculado ao mesmo Governo, financiou o projeto.</p><p>HUBER – Esse tipo de contradição também existe na Alemanha.</p><p>THIMME – Quando começar a campanha da eleição para a Constituinte, o Partido Verde alemão vai fazer uma declaração a favor do movimento ecológico brasileiro. Vai ser uma tentativa de dar força à mobilização dos ecologistas.</p><p>BEATE NILSSON – E sobre a questão do aborto?</p><p>LÚCIA ARRUDA – Esse ano a coisa chegou ao auge quando da aprovação de uma lei de minha autoria obrigando os hospitais públicos a dar atendimento nos dois casos em que o aborto é permitido por lei: estupro e risco de vida. A lei acabou revogada – houve uma oposição fortíssima – mas acho que o saldo foi positivo porque, pelo menos, a discussão saiu da clandestinidade.</p><p>BEATE NILSSON – Na Alemanha, há o problema da falta de crianças. O crescimento demográfico tem taxas negativas.</p><p>HUBER – A gente acredita que o problema do crescimento populacional do terceiro Mundo vai-se resolver paralelamente ao crescimento econômico, como já aconteceu na Europa. Na Alemanha, a única população que cresce é a da minoria de imigrantes turcos. Eles já são 10% da população.</p><p>LÚCIA – E sobre a contracepção?</p><p>BEATE NILSSON – No início, o movimento feminista aconselhava as mulheres a não ter filhos. Depois, essa posição mudou. Foi a fase de “sentir o corpo” e coisas assim. Era engraçado, porque parecia que todas as feministas alemãs tinham engravidado ao mesmo tempo. Nas reuniões, você só via aquelas barrigas enormes. Mas a gente tem que ver o interesse do Governo nisso tudo. Toda vez que há uma crise de desemprego, as mulheres são incentivadas a “voltar pra casa”.</p><p>CARLOS MINC – Eu queria voltar para a discussão da possibilidade de uma ação conjunta. Por exemplo, para pressionar o Governo alemão a impedir as multis de vender na América Latina os produtos que já estão proibidos na Europa.</p><p>HUBER – Impossível. O Governo não tem instrumentos legais para impedir.</p><p>CARLOS MINC – E as empresas que defendem o meio ambiente por lá e têm uma ação predatória aqui? O resultado seria muito bom, em termos de impacto, se a gente organizasse uma campanha internacional usando as mesmas palavras de ordem, os mesmos cartazes&#8230;</p><p>HUBER – Se a gente desenvolver uma campanha internacional conjunta, o impacto maior, com certeza, vai ser sobre a própria opinião pública brasileira, que realmente vive o problema.</p><div
class="alerta"><h3>De 1985 a 2012</h3><p>A matéria publicada por <strong>Outra</strong> em 1985 é a transcrição de um debate ocorrido na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no âmbito do seminário de discussão de alternativas no Brasil e na Alemanha. 27 anos depois, eis o que sabemos sobre cada interlocutor:</p><p><strong>Thomas Thimme</strong> &#8211; o jornalista alemão continua na ativa em seu país de origem, tendo merecido inclusive um verbete na versão alemã da Wikipedia.</p><p><strong>Joseph Huber</strong> &#8211; é titular da cadeira de Sociologia Econômica e Ambiental na Universidade Martin Luther de Halle-Wittenberg, na Alemanha. Autor de diversos trabalhos acadêmicos bastante influentes, seu último livro publicado é <em>New Technologies and Environmental Innovation</em> (Cheltenham, UK; Northampton, MA: Edward Elgar, 2004).</p><p><strong>Liszt Vieira</strong> &#8211; Advogado e político, é diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro desde 2003.</p><p><strong>Carlos Minc</strong> &#8211; Tornou-se conhecido nacionalmente como Ministro do Meio Ambiente, após a gestão de Marina Silva.</p><p>Sem informação atualizada sobre Lúcia Arruda, Beate Nilsson e José Antônio Dominguez.</p></div><p>&nbsp;</p> <span
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isPermaLink="false"></guid> <description><![CDATA[O IX Encontro Nacional de Comunidades Alternativas, em julho de 1985, foi o maior evento no gênero já realizado no Brasil até os anos oitenta. Jamais tanta gente, com cabeças tão diferentes, conseguira se reunir para discutir a identidade de um movimento cuja característica mais evidente sempre foi à multiplicidade de caminhos. Relembre como foi e saiba o que fazem hoje alguns dos participantes daquele momento.]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p></p><p
class="destaque">O IX Encontro Nacional de Comunidades Alternativas, em julho de 1985, foi o maior evento no gênero já realizado no Brasil até os anos oitenta. Jamais tanta gente, com cabeças tão diferentes, conseguira se reunir para discutir a identidade de um movimento cuja característica mais evidente sempre foi à multiplicidade de caminhos. Relembre como foi, veja a cobertura da imprensa da época e saiba o que fazem hoje alguns dos participantes daquele momento.</p><p><img
class="caption" style="margin: 4px 8px; border: 0pt none;" title="Barbudos no IX ENCA" src="/images/stories/8enca3.jpg" alt="Enca - barbudos" width="468" height="332" align="absmiddle" border="0" hspace="8" vspace="4" /></p><p
class="alerta">NOTA: este artigo foi publicado originalmente no jornal <strong>Outra</strong> de  setembro de 1985, e traça um amplo panorama do que foi o Encontro Nacional de Comunidades Alternativas daquele ano. Os Encontros de Comunidades eram a oportunidade anual de troca de experiências entre os participantes de comunidades de diversa natureza, país afora, e grupos afins. O ENCA de 1985 teve importância especial pelo fato de ter sido o primeiro pós-regime militar, aquele que recebeu maior número de participantes e o que contrapôs mais fortemente duas correntes com visões bem distintas: os ecologistas e ambientalistas &#8220;urbanos&#8221;, mais politizados, e os comunitários &#8220;autênticos&#8221;, muitos dos quais ligados a grupos religiosos de variados matizes.</p><p>O que pouca gente percebeu é que o Encontro não se restringiu àqueles ensolarados dias de julho, em Pindamonhangaba. Na verdade, tudo começou um ano antes, e foi necessário algum tempo para que se pudesse delinear com alguma clareza o resultado de toda essa Conspiração Aquariana que envolveu muito mais gente do que as três mil pessoas presentes na Fazenda de Nova Gokula.</p><p>Nessa matéria, OUTRA mostra a parte oculta do iceberg: as esperanças, expectativas e divergências que comunidades rurais, ecologistas, terapeutas alternativos, naturistas, místicos e políticos levaram para o Encontro e – principalmente – o que cada um deles andou dizendo depois de voltar pra casa.<br
/> <strong><br
/> Sábado, 27 de julho de 1985</strong>. Na Fazenda de Nova Gokula, comunidade rural do grupo religioso Hare Krshna, barracas de todos os tamanhos já se estendiam por uma faixa de terra plana, entre a margem do rio e a encosta da Serra da Mantiqueira. Enquanto o público tomava o café da manhã ? pão integral com pasta de ervilha e chá de cevada ? a comissão organizadora ainda resolvia os últimos detalhes da programação de abertura.</p><p>Há quatro meses, aliás, a Comissão Organizadora vinha-se debatendo com o problema de como abrir aquele Encontro sem ferir as suscetibilidades de uma boa parte dos participantes. Para qualquer pessoa que já tivesse participado de pelo menos um dos Encontros de Comunidades acontecidos entre 1978 e 1984, tudo poderia parecer muito simples: bastava formar o tradicional círculo de confraternização, entoar três vezes o mantra OM e dar a partida para a apresentação dos líderes de cada comunidade rural. O problema estava justamente aí: desta vez, a Comissão convidara muito mais gente e, além da velha tribo de<em> ruraleiros</em>, lá estavam também os ecologistas, os jornalistas da grande imprensa, pesquisadores saídos da universidade e até mesmo um Secretário de Estado representando o governador Franco Montoro.</p><p>O primeiro ? e maior risco – era de que as comunidades não vissem com bons olhos a presença de tanta gente nova. O segundo risco era a reação dos ecologistas urbanos ao clima de misticismo que certamente haveria no Encontro. Para começar, a própria comunidade anfitriã ? os Hare Krshna ? já era vista como uma das mais radicais em termos de opção religiosa, seguindo rigorosamente os preceitos da tradição védica. Além disso, havia os grupos Ananda Marga, Rajneesh, os iogues, os seguidores de Paramahansa Yogananda e de dezenas de outros líderes espiritualistas.</p><p>O terceiro risco era o relacionamento com a imprensa. Três redes de televisão resolveram dar um pulo em Nova Gokula e havia jornalistas de publicações tão diversas quanto à poderosa revista <strong>Veja</strong> ou o politizado <strong>Jornal do PT</strong>.</p><p>Nesse clima de apreensão, onde qualquer mal entendido poderia acender velhas desconfianças, a Comissão Organizadora optou por uma programação neutra: uma rápida apresentação de líderes de comunidades e de alguns convidados, seguida de palestras sobre temas eminentemente técnicos e, portanto, menos explosivos.</p><p>A estratégica deu certo, mas não aqueceu a temperatura do Encontro. De tarde, formaram-se os grupos de trabalho que, durante cinco dias, deveriam discutir temas fundamentais para o meio alternativo. Paralelamente, um enorme circo de lona foi ocupado por todos os que tinham algo para vender: artesãos, editoras, produtores de alimentos e de tecnologia apropriada.</p><p>No domingo, 28 de julho, a programação parecia ainda mais frouxa. O público ? talvez por causa das enormes distâncias entre a área de camping e o palco ? preferia circular pelo refeitório ao ar livre ou tomar banho no rio enquanto Khan, Lize Torok e Sampurno, responsáveis pela condução das atividades de palco, faziam apelos inúteis pelo microfone.</p><p>Os primeiros sinais de mudança ocorreram no final da tarde. O Movimento Ecológico Livre de Florianópolis (Mel de Flor), solicitou a convocação de uma reunião extraprogramação para discutir a validade da criação de um Partido Verde e mais de cem pessoas foram para o “circo do meio”. Pela primeira vez, uma atividade pegava fogo espontaneamente. Depois do almoço, alguns grupos de trabalho sumiram do mapa e foram-se reunir em áreas retiradas da fazenda. Os líderes de comunidades, por sua vez, decidiram antecipar o Encontro dentro do Encontro ? uma reunião fechada, reservada exclusivamente para os membros do Conselho Deliberativo das Comunidades ? e realizá-la no maior dos circos de lona, com a participação de todos os interessados.</p><p>“O Encontro está nascendo”, comentou Sampurno, membro da comissão organizadora. Param Gacit, líder do movimento Hare Krshna e presidente da comissão organizadora, circulava apressado entre todas as áreas da fazenda: “Está uma loucura, tem gente querendo fazer reunião por toda parte, o palco está abandonado”. Simultaneamente, Walter Vetillo percorria os grupos seguido pelo pessoal da imprensa: “Cadê o Valdo França? O pessoal da Globo está querendo ele agora para uma entrevista sobre agrotóxicos”. No palco, Lize Torok perguntava a Khan: “Quem é essa gente que está fazendo uma reunião<strong> dentro</strong> do rio? Tem alguém dando aula e uma turma acompanhando, todos com água até a cintura”.</p><p>No final da noite, o novo clima estava claramente definido. O Encontro explodira todos os parâmetros de organização anteriormente definidos e encontrara seus próprios rumos. A comissão assimilou muito bem a nova proposta: “Não importa que haja um esvaziamento do palco”, disse Param Gacit, “o que interessa é que estão todos discutindo coisas importantes e todo mundo está participando”. “As pessoas vieram pra cá com muita coisa pra dizer”, completou Sampurno. ”Ninguém quer ficar sentado, ouvindo um medalhão que tem um microfone na mão e um discurso autoritário na cabeça. Além disso, o círculo é uma coisa mágica, ritual, igualitária. A troca de experiências fica muito mais fácil”.</p><p>Nos três últimos dias, as atividades se multiplicaram em ritmo vertiginoso. Algumas estrelas alternativas, que foram a Nova Gokula apenas para dar uma rápida palestra e sair logo em seguida, saíram perdendo. Apenas a engenheira agrônoma Ana Maria Primavesi, o terapeuta Rajneesh Aron Abend, o professor de apicultura Lenhart Schirmer, o jornalista Fernando Gabeira e o respeitado Hermógenes, uma espécie de decano dos professores de yoga no Brasil, escaparam da febre que encheu o camping de pequenos círculos de debate e deixou o palco praticamente às moscas.</p><p>O ambiente geral era de descontração. Apenas em dois grupos havia um pouco mais de tensão: entre o pessoal das comunidades rurais (ver editorial A opinião da Outra) e no grupo de trabalho de medicina alternativa, onde algumas rivalidades profissionais ameaçaram tempestades que, no final das contas, acabaram não acontecendo.</p><p>No último dia, 31 de julho, todos os grupos de trabalho redigiam seus documentos numa rapidez que variou dos dez minutos gastos pelo grupo de imprensa alternativa às várias horas &#8211; e muitos impasses &#8211; do grupo de medicina. Às quatro da tarde, depois da leitura dos documentos e do anúncio de que no próximo ano o Encontro se desdobrará em vários &#8211; o das comunidades, em Pirenópolis (GO), o da cultura alternativa, em Nova Gokula, e talvez o do Cometa de Halley, em Piatã (BA) e o de Vivência Comunitária, em Curitiba &#8211; todos se reuniram para a celebração final, um enorme círculo onde todos, de mãos dadas, pediam a harmonia e a paz.</p><p>A CRONOLOGIA DO ENCONTRO</p><p>31 de maio de 1984 – Em São Lourenço, no encerramento do VII Encontro de Comunidades, as lideranças do movimento escolhem Nova Gokula como sede do Encontro seguinte.</p><p>Janeiro/fevereiro de 1985 – Os Hare Krshna, com assessoria do ecologista Arlindo Henrique, delineiam o projeto para o aproveitamento do espaço de Nova Gokula e a organização do Encontro.</p><p>Fevereiro – Param Gacit Swâmi faz contatos pessoais com alternativos do eixo Rio-São Paulo e recolhe sugestões.</p><p>1º e 2 de março – Apresentação da proposta do Encontro para líderes de grupos alternativos, no Rio. Dos participantes antigos do movimento, estão presentes Hélder Carvalho (Aurora Espiritual), Regina Sylvia (Nave), Felipe Desidério (Sol e Terra), Ernani Fornari, Lize Torok (Fazenda Sertão) e Valdo França. Há uma forte reação contrária à idéia de um encontro para dez mil pessoas (essa era a proposta inicial) e ao esquema promocional com patrocínios, outdoors e venda de ingressos na rede bancária. Arlindo Henrique abandona a reunião ao ver rejeitada sua proposta de organização do temário. Depois do susto inicial, os “antigos” absorvem a idéia e propõe-se a eleição de um Conselho Deliberativo Nacional para a definição da programação do Encontro. A votação ocorre de imediato e indicam-se os nomes dos líderes das comunidades tradicionais (Ekhanata, Sarvananda, Olinto, George, etc.) e de representantes de outros setores do meio alternativo: Valdo França (agricultura ecológica), Tuika (Coonatura), Regina Sylvia (Nave), Fernando Fernandes (COOVIDA/OUTRA), João Avellini (Coolméia), etc. Elege-se também a Comissão Diretora: três membros da comunidade anfitriã e ainda Lize Torok, Felipe Desidério e Khan (Comunidade Casa do Caminhão, RJ), sob a presidência de Param Gacit.</p><p>Março/Abril de 1985 – A primeira reação dos alternativos paulistas é negativa: tanto a comissão quanto o Conselho estão cariocas demais. Param Gacit conversa com os paulistas e, pouco a pouco, obtém novas adesões à idéia. A grande dificuldade, neste período, é vencer as barreiras que separam, de um lado, cariocas e paulistas e, de outro, alternativos rurais e urbanos. Teme-se também a utilização do evento apenas em proveito da divulgação da filosofia védica, em detrimento das propostas de outros grupos. Toda a tribo está muito dividida e desconfiada. Expedem-se as cartas para os membros do Conselho Deliberativo e chegam as primeiras respostas. A Comissão Diretora, mais afinada com o pensamento dos ruraleiros, concentra-se no trabalho de aplainar as arestas entre as velhas lideranças do movimento. Paralelamente, forma-se uma comissão executiva que, a partir desse momento, cuidará de toda as tarefas de promoção e contatos com a imprensa: Walter Vetillo, Cláudio Duarte, Sampurno, Valdo França, Purushatraya (todos de São Paulo) e Fernando Fernandes (Rio).</p><p>Maio de 1985 – A Comissão Executiva reúne-se continuamente em SP, ora na Academia de Cláudio Duarte, ora no Templo Hare Krshna. Os contatos com agências de publicidade não produzem grandes resultados, mas, em compensação, consegue-se o empréstimo de um escritório do PMDB para centralização do trabalho. No Rio, a COOVIDA e o Templo Hare Krshna organizam um minigrupo para distribuição de material da propaganda. Em Nova Gokula, as obras caminham devagar, por falta de recursos. Param Gacit viaja continuamente entre Rio e São Paulo, articulando os trabalhos.</p><p>Junho de 1985 – Já existem minigrupos divulgando o Encontro em diversas cidades. OUTRA lança uma edição especial, com trinta mil exemplares e distribuição gratuita, totalmente dedicada ao Encontro. Vida &amp; Cultura Alternativa publica um encarte, contendo a ficha de inscrição, e patrocina milhares de cartazes. Vetillo, Sampurno e Purushatraya começam a obter espaços na grande imprensa. A primeira versão da programação oficial, já recebidas todas as respostas do Conselho, ganha forma no Rio. A partir desse momento, cada deslocamento de Param gacit para Rio ou São Paulo representará a produção de uma nova versão do documento.</p><p>Ao todo, serão produzidas ainda por volta de trinta programações “definitivas”. A Comissão Diretora deseja maior ênfase nos temas ligados à vida rural e comunitária, enquanto a Comissão Executiva defende mais espaço para a ecologia e a discussão da posição dos alternativos diante do novo contexto político. A promoção do Encontro encontra-se em um momento crítico: o banco encarregado da venda dos ingressos não distribuiu as fichas de inscrição por todas as suas agências, conforme o combinado.</p><p>Julho de 1985 – Armam-se esquemas de emergência: os minigrupos passam a vender os ingressos diretamente. Gente de todo o país telefona para Nova Gokula, para o escritório do PMDB, em SP, e para a COOVIDA. As duas comissões se reúnem em Pindamonhangaba e surgem da fusão de ambas, a Comissão Organizadora. A ausência de participadores e os problemas com a distribuição dos ingressos fazem temer um fracasso de público. Em São Paulo, consegue-se o aluguel de três circos de lona, que concentrarão boa parte da programação. As divergências de opinião entre cariocas e paulistas, ruraleiros e urbanóides, já estão praticamente superadas em termos de Comissão Organizadora, mas há expectativa quanto ao convívio das comunidades rurais, dos políticos, dos ecologistas e dos terapeutas que comparecerão ao Encontro. Na segunda quinzena de julho, completam-se as obras de infra-estrutura em Nova Gokula. O escritório de SP não pára de contactar jornalistas. No Rio, organizam-se grupos para aluguel de ônibus.</p><p>26 de julho de 1985 – Na véspera da abertura, toda a Comissão Organizadora já está em Nova Gokula. A infra-estrutura está toda pronta, mas há dois setores críticos: a recepção, onde formam-se longas filas para o preenchimento de fichas e surgem diversas dúvidas na identificação dos convidados (palestrantes e jornalistas), e a programação, que ainda não está definida: muitos palestrantes desejam alteração de datas e horários e – problemas mais grave – há muito mais palestrantes do que tempo disponível na programação. Convoca-se uma reunião de emergência, em que Lize Torok e Regina Sylvia redistribuem horários e conversam com todos os palestrantes presentes. Destes, muitos estão tendo pela primeira vez um contato pessoal com a Comissão Organizadora. Á noite, ninguém tem idéia de quantas pessoas estão no camping. No escuro, vêem-se barracas em toda parte, e os cálculos variam de 500 a duas mil pessoas. Ás duas da manhã, ainda se discutem detalhes da programação de abertura.</p><hr
class="system-pagebreak" title="Quem não foi" /><p>QUEM NÃO FOI</p><p>A lista dos ausentes do Encontro é quase tão importante quanto a listados presentes como indício de quem realmente faz parte do circuito alternativo no Brasil. Veja só:</p><p>1. Os espíritas e os umbandistas – O diálogo entre os grupos espiritualistas de tendências orientalistas e os espíritas é ainda muito incipiente. A maioria dos grupos espírita vive à margem dos movimentos de integração que tentam criar uma “consciência aquariana”. Contudo, as diferenças são apenas aparentes, pois muitos grupos espíritas &#8211; a Fraternidade Ramatis de São Paulo seria um bom exemplo – vêm incorporando propostas alternativas e divulgando a alimentação natural, as terapias alternativas e os conceitos de preservação do meio ambiente. Quando aos umbandistas, muitos dos quais desenvolvem importante trabalho na área de assistência social, as desconfianças ainda são grandes O Know – how e a organização dos espíritas e umbandistas faz falta ao movimento alternativo e um pouco mais de aproximação não faria mal a ninguém.</p><p>2. Os alternativos do Extremo Norte – Naturalmente, as grandes distâncias impedem um contato mais constante. Contudo, mesmo as pesquisas de endereços, realizadas antes do Encontro, não revelaram muita coisa sobre a Amazônia. Manaus e Belém, plantadas no meio da selva, são talvez as capitais brasileiras mais carentes de informação sobre ecologia e tecnologias apropriadas. Uma distorção que precisa ser repensada.</p><p>3. Sociedade Teosófica e Augusta Fraternidade Universal – Apesar de tradicionais divulgadoras de idéias naturalistas e pacifistas, estiveram ausentes da festa. Falta de Contato? Ou de interesse?</p><p>4. Grupos Ecológicos – Fizeram falta a AGAPAN e a ADFG, de Porto Alegre, importantíssimo para qualquer articulação de ecologistas em nível nacional. Contudo, a presença de outros grupos gaúchos (Coolméia, Deite na Grama) facilitou o repasse de informações. Mais grave foi a ausência dos grupos nordestinos e mineiros, o que impediu um levantamento mais completo do perfil do ativismo ecológico brasileiro.</p><p>5. As seitas “exóticas” – Não basta ter um título de mestre espiritual ou um nome oriental para ser aceito como membro da tribo alternativa. O pessoal do Reverendo Moon, por exemplo, jamais se arriscou a pôr o pé em um Encontro de Comunidades sem pensar no trabalho da Igreja Progressista, desde o precursor D. Hélder Câmara até o IBASE ou os bispos que defendem a Reforma Agrária. Este ano, a Comissão Organizadora não teve sequer tempo necessário para fechar os contatos. Mas o ano que vem é o ano que vem&#8230;</p><p>7. Administração Federal na área agrícola – Ninguém do INCRA, ninguém da EMATER, ninguém do SENAR. Da Embrapa, nem sinal. Ficam como sugestões para o ano que vem. Afinal, discutir Reforma Agrária e agrotóxicos sem esses interlocutores são manter em circuito fechado uma discussão que interessa a toda a sociedade.</p><p>8. Lideranças estudantis – As questões ecológicas chegaram às universidades, mas, ao que parece, estão sendo discutidas fora do circuito dos CAs e DCEs. Num Encontro onde centenas de participantes eram universitários, faltou um representante da UNE.</p><p>9. Alternativos “históricos” &#8211; Seja por discordarem da maior abrangência dada ao Encontro, seja por razões de ordem pessoal, muitos participantes tradicionais não apareceram este ano: Lino Matheus, Luiz Gonzaga Scortecci de Paula, Dharmendra, Netuno etc. Miguel Grinberg, o editor da revista Argentina Mutantia, também não pôde comparecer, apesar de seu nome fazer parte da programação oficial. Miguel, que é o representante do CEMA (Centro de Enlace para o Meio Ambiente, com sede em Nairóbi) para a América do Sul, andou enfrentando sérias dificuldades com a editora responsável pela produção gráfica de Mutantia e acabou ficando mesmo em Buenos Aires.</p> <span
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isPermaLink="false"></guid> <description><![CDATA[Apoiar ou não apoiar a formação do Partido Verde? Esta era uma das questões mais polêmicos no meio ambientalista brasileiro em meados dos anos 80. Neste artigo, publicado no jornal OUTRA em setembro de 1985, o ambientalista catarinense Rogério Portanova defende que o PV seria muito mais um problema do que uma solução.]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p></p><p><img
src="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/logo_pv.jpg" alt="Logo do Partido Verde" title="logo_pv" width="150" height="138" class="alignleft size-full wp-image-337" /><p
class="destaque">Apoiar ou não apoiar a formação do Partido Verde? Esta era uma das questões mais polêmicos no meio ambientalista brasileiro em meados dos anos 80. Neste artigo, publicado no jornal OUTRA em setembro de 1985, o ambientalista catarinense Rogério Portanova defende que o PV seria muito mais um problema do que uma solução.</p><p>A problemática de virem ou não as bandeiras ecologistas a ser defendidas por uma organização partidária própria é uma realidade que está presente. Esta proposta foi defendida inicialmente no PR e RJ por alguns membros do PTB. A sigla PV tornou-se vazia, sem qualquer vinculação com os movimentos ecologistas e símbolo de oportunismo mais gritante de velhos caudilhos populistas.</p><p>A idéia, porém, foi assumida posteriormente por companheiros militantes que hoje mobilizam-se para a formação de um PV representativo. Hoje existem comissões pró-partido em MG, RJ, CE, entre outros Estados. É com estes companheiros que estamos abertos ao diálogo, embora nossa posição venha em direção contrária, uma estratégia de luta dada a atual conjuntura política.</p><p>Em primeiro lugar, a formação de um partido Verde, embora com as facilidades legais de hoje, envolve no mínimo cinco Estados para sua constituição. Se quisermos respeitar todas as instâncias de representação democrática, esta decisão deveria ser tirada após um encontro nacional com o objetivo específico para tanto. Caso seja rechaçada a idéia, é necessário respeitar a decisão e propô-la em momento mais oportuno; caso seja aceita, é compromisso de todas as entidades se mobilizarem na mesma luta e ocuparem o maior espaço possível. A instância competente para tanto é o I FNEEA – por isso a importância da participação do maior número possível de entidades ecologistas representativas.</p><p>A persistir a posição isolada de criação do PV, mesmo sendo repudiada e não discutida publicamente, tal posição constituirá um ato de vanguardismo, isolado do movimento como um todo.</p><p>Sendo aprovada a proposta de criação do PV, é preciso que se passe à instância estadual para que se saiba que Estados poderiam arcar com este ônus de organização e adaptarem suas atividades normais à luta pró-formação do partido ao Movimento Ecologista, uma maior integração em cada Estado e a nível nacional. Você sabe quantos grupos ecologistas existem em sua cidade? E no País? Que critérios utilizar para considerar um grupo “ecologista”?</p><p>Um partido poderia vir a comprometer a inserção social das entidades em função de exigências burocráticas que ocupam tempo. Hoje é mais importante ser um militante do movimento ou do partido? É possível harmonizar as duas coisas? Como fica a questão da dupla militância?</p><p>As instâncias de deliberação são diferenciadas, embora os objetivos sejam comuns: representação dos ecologistas na vida pública e, principalmente, na Constituinte.</p><p>É importante que tenhamos claro que ou se faz o partido ou não teremos representação.</p><p>Para a Constituinte, há a possibilidade de vir a ser aprovado o candidato avulso – por isso é preciso defender e propagandear a emenda José Eudes. Caso seja derrotada e vingar a proposta Sarney, temos que exigir dos partidos já constituídos um espaço para os movimentos sem que haja “entrismo” ou absorção. Autonomia. Devemos exigir isto dos partidos. E que nossos candidatos apresentem apenas uma lista de eleitores que concordam com a candidatura. Com o esvaziamento crescente dos partidos e a perda constante de seus “currais eleitorais”, pode ser o momento de fazer exigências e “testar” a democracia interna dos partidos sem que haja grande esforço de seus militantes e sem grande perda de tempo.</p><p>Entendo que a criação do PV, hoje, traria mais problemas do que soluções. Ainda mais que – parece – estão criando um partido para concorrer a uma eleição que se aproxima. Sabe-se dos riscos, caso haja uma grande frustração. A história tem algo a dizer&#8230;</p><p>Minha postura não reflete a Verdade Ecológica Atual, nem acredito que esteja com a razão. Aliás, não quero mais do que levantar pontos para discussão. E a verdade é aproximada e sempre relativa a um dado momento histórico. O espaço está aberto; a proposta de que o ecologismo venha a ser defendido, hoje, por um partido pode ocupar o próximo boletim.</p><p>&nbsp;</p><div
class="alerta"><h3>O que aconteceu depois</h3><p>O advogado <strong>Rogério Portanova</strong> completou o doutorado em Sociologia e Antropologia pela Universidade de Paris em 1994. Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal de Santa Catarina e Conselheiro do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Inicialmente reticente quanto à participação de ambientalistas na política, filiou-se mais tarde ao Partido Verde, apresentando candidatura a cargos eletivos em mais de uma eleição. Em 2006 publicou o livro <em>Desventuras românticas e militância alternativa</em>, sobre política ambientalista e Partido Verde, pela Fundação Boiteux.</p><p>O <strong>Partido Verde</strong>, que durante todo o ano de 1985 esteve na mira de acaloradas discussões contra e a favor no movimento ambientalista, foi fundado oficialmente em 1986. Ao longo do tempo, conseguiu congregar muitos de seus antigos críticos, ao mesmo tempo em que alguns integrantes do núcleo original migraram para outras agremiações.</p></div><p></p> <span
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isPermaLink="false"></guid> <description><![CDATA[Em 1985 o engenheiro agrônomo Valdo França e a comunidade dos devotos de Krshna uniram esforços para criar uma Escola Livre de Agricultura Ecológica na fazenda de Nova Gokula, em Pindamonhangaba. Conheça o projeto e seu resultado: uma fazenda com terrenos recuperados e mata nativa, hoje integrada à área de preservação ambiental da Serra da Mantiqueira.]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p></p><p
class="destaque">A consciência dos riscos da agricultura química, que envenena os recursos naturais e as plantações, fez nascer o movimento da agricultura ecológica, que põe em prática técnicas naturais e sustentáveis de produção de alimentos saudáveis. Um exemplo foi a Escola Livre de Agricultura Ecológica, parceria estabelecida nos anos 80 entre um engenheiro agrônomo e uma comunidade espiritualista.</p><p>“A agricultura química, ao envenenar os recursos naturais e o alimento, fez reviver velhas práticas agrícolas e conduziu ao aparecimento de diversas escolas de agricultura. O amadurecimento da militância ecológica na área agrícola veio criar o movimento de Agricultura Ecológica que resume todas as boas técnicas viáveis e econômicas de produção de alimentos saudáveis”. A declaração é do Engenheiro Agrônomo Valdo França, iniciador do planejamento de ocupação da fazenda da Comunidade de Nova Gokula, em Pindamonhangaba.</p><div
id="attachment_353" class="wp-caption alignleft" style="width: 151px"> <img
class="size-full wp-image-353" title="valdofranca-enca85" src="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/valdofranca-enca85.jpg" alt="Engenheiro Agrônomo Valdo França" width="151" height="448" /><p
class="wp-caption-text">Valdo França em 1985</p></div><p>Depois de quase três anos de batalha de Valdo França, o IX Encontro Nacional de Comunidades Alternativas (ENCA), realizado em julho de 1985, definiu a Comunidade de Nova Gokula como Escola Livre de Agricultura Ecológica.</p><p>A partir de agora, as atividades produtoras de forragem, leite, adubo orgânico, biogás, hortaliças, frutas, cereais, mel e flores, e o tratamento fitopedalógico dos esgotos de Nova Gokula servirão como modelo de ensino e treinamento em Agricultura Ecológica. Somam-se a isso as práticas de melhoria e proteção dos solos nas encostas locais, projeto que Valdo França considera de extrema importância e urgência.</p><p>Segundo Valdo, florestas naturais e exuberantes coincidem no tempo e no espaço com o clímax de fertilidade dos solos, acumulado em milhares de anos de gênese permanente. Os desmatamentos destroem o emaranhado de raízes que, como uma cabeleira, protegem o solo contra o impacto direto da chuva, do sol e do vento. Estes elementos de intemperismo podem causar desagregação, carreamento, lixiviação, esterilização, erosão e desertificação do solo.</p><p>Nas encostas de Nova Gokula, tem-se observado o rolamento de grandes massas de solo. Para Valdo, isto ocorre principalmente devido à infiltração de água da chuva na parte alta da encosta e afloramento desta água na parte baixa, onde se encontra a camada impermeável. Na saída da água, ocorre o carreamento de partículas do solo e, com o solapamento destas encostas, vem o rolamento, pois não existe o emaranhamento de raízes para a sua sustentação.</p><p>Valdo pretende desenvolver seu projeto de contenção, protegendo as encostas através da construção de terraços de vinte em vinte metros em toda a área. Estes terraços com declive de 1% e 2% escoarão para as grotas florestadas o excesso de água da chuva. Eles terão um metro e meio de base e servirão também para a movimentação de bois com cangalhas para transporte de adubo orgânico, fosfato natural de rocha, mudas e ferramentas, na época do plantio das fruteiras, e essências de madeira de lei que serão usadas no reflorestamento da área.</p><p>Após o inicio da produção, os terraços projetados possibilitarão o transporte da colheita de frutas por animais.</p><p>Valdo França pretende que a proteção dos terraços contra a erosão seja efetuada com leguminosas rasteiras e guandu. Estes plantios, além de manterem a fertilidade do solo, produzirão sementes para o comércio e consumo de Nova Gokula.</p><p>Dentro das feridas abertas pelos rolamentos nas encostas, está sendo plantado bambu, de cinco em cinco metros. A plantação vai da base até o ponto mais alto da erosão. Valdo França entende que o plantio em covas adubadas utilizando esterco de curral, fosfato natural mais cobertura morta, dará condições de crescimento vegetativo e enraizamento agressivo, segurando o solo e recuperando a paisagem, através da cobertura verde do bambu.</p><p>Valdo França tem a certeza de que o IX Enca comprovou a abrangência de interesse despertado em diversos grupos sociais preocupados com as questões do Movimento Alternativo. “Ensinar mostrando como fazer certo é a melhor didática para quem contesta o errado”. Durante o IX Enca, foram recuperadas nove encostas pelo mutirão da Agricultura Ecológica. É por aí.</p><div
class="alerta"><h3>O que aconteceu depois</h3><p>A <strong>Comunidade de Nova Gokula</strong>, fundada em 1978 e sede da ISKCON, entidade que congrega os devotos de Krshna no Brasil, está sediada numa fazenda no município de Pindamonhanga, no vale do Paraíba. Foi uma das poucas comunidades rurais organizadas a sobreviver por mais de três décadas. O grande ponto de contato dos devotos de Krshna com outras entidades e grupos sempre foi a defesa de propostas ambientais e o esforço na implantação de ecotécnicas. Por isso, Nova Gokula foi escolhida para sediar o IX Encontro Nacional de Comunidades Alternativas, em 1985, e projetos de agricultura ecológica. Mantém até hoje uma grande área de floresta e terrenos recuperados e faz parte da área de proteção ambiental da Serra da Mantiqueira. Segundo o site da instituição, nos últimos anos a agricultura ecológica cedeu espaço ao ecoturismo como principal meio de sustentação da comunidade.</p><p>O engenheiro agrônomo <strong>Valdo França</strong> foi pioneiro no ensino de agricultura ecológica através de cursos de formação à distância no Brasil. Consultor de diversos projetos de agricultura ecológica e recuperação de terras degradadas, tentou também a carreira política, candidatando-se a cargos legislativos pelo PDT. É autor do livro <em>O Agricultor Ecológico</em>, pela Ed. Nobel, <em>Manual Agricultura Ecológica</em>, pela Escola Livre de Agricultura Ecológica, e <em>Alternativas contra a Fome</em>, pela Ed. Polis. Seus trabalhos mais recentes podem ser lidos no site <strong><a
title="Artigos de Valdo França" href="http://www.webartigos.com/authors/2383/Valdo-Fran%E7a" rel="”nofollow”" target="_blank">Web Artigos</a></strong>.</p></div><p>&nbsp;</p> <span
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isPermaLink="false"></guid> <description><![CDATA[O IX Encontro Nacional de Comunidades Alternativas, realizado em 1985, teve na imprensa uma repercussão ampla mas contraditória. Jornais como a Folha de S.Paulo e o Correio Braziliense dividiram-se entre a surpresa e a ironia com o estilo de vida dos <em>bichos-grilos</em>. Relembre como os alternativos eram vistos pela sociedade e o que achavam de si mesmos, uma geração atrás.]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p></p><p
class="destaque">Afinal, que tribo é essa? Um apanhado do que foi dito e escrito sobre o IX Encontro de Comunidades Alternativas, realizado em julho de 1985, pode apresentar resultados surpreendentes. Desta coletânea de trechos de matérias publicadas na grande imprensa e na imprensa alternativa, fica uma certeza: o grande produto do IX ENCA foi a redefinição de posições de todos os segmentos do movimento alternativo. As contradições agora estão mais claras e, pelo menos, todo mundo sabe o que todo mundo pensa. O que já é um grande avanço.</p><h3>Democrático ou caótico?</h3><p>Mais de mil pessoas, entre técnicos e leigos, participaram do IX ENCA, índice jamais alcançado em realizações anteriores. E os naturalistas puderam experimentar o gosto da vitória. (&#8230;) Por todo lado, professores, diretores de escolas, psicólogos e pedagogos analisavam as possibilidades de uma nova estrutura para o ensino no país. (&#8230;) Dessas discussões, das quais participaram técnicos enviados pelas Secretarias de Educação de alguns Estados, pelo menos um ponto foi alinhavado: a urgência em levar a preocupação com o meio ambiente para as salas de aulas.</p><p>(Juliana Bueno, <em>Shopping News-SP</em>. 4.8.85)</p><p>O encontro deste ano evidenciou um amadurecimento visível desde a organização administrativa até a disposição geral de se promover reuniões objetivas mais acordadas com o momento político. Ao contrário dos encontros anteriores, este teve tom mais agressivo na discussão e na escolha de temas abrangentes como reforma agrária ou Constituinte.</p><p>(Ary Pararráios, <em>Correio Braziliense</em>, 3.8.85)</p><p>Havia tanta gente interessada em passar sua experiência ao público do IX ENCA que era uma verdadeira ginástica de tempo encaixá-los em horários compatíveis. Acabou tendo muita programação paralela: cursos de astrologia, agricultura, bananicultura, etc. Grupos de trabalho (&#8230;)</p><p>(Regina Sylvia Pugliero, revista <em>Nave</em>, Niterói, outubro de 85)</p><p>Foram realizadas ontem palestras sobre medicina alternativa, apicultura, iridologia, ecotecnologia, interação homem-animal, parto natural, cibermética bucal, energia solar, arquitetura alternativa e agrotóxicos.</p><p>(Hélio Belik, <em>Folha de São Paulo</em>, 30.7.85)</p><p>O movimento, porém ainda é extremamente incipiente. A falta de organização é total na Fazenda Nova Gokula. A programação sempre está atrasada e algumas discussões beiram o absurdo. Os ruralistas querem restringir as discussões aos problemas de convivência comunitária e agricultura de subsistência. Os ecologistas urbanos querem discutir agrotóxicos e poluição.</p><p>(Hélio Belik, <em>Folha de São Paulo</em>, 29.7.85)</p><p>O sr. Hélio Belik, jornalista da <em>Folha de São Paulo</em>, escreveu um artigo totalmente às avessas, dizendo estar o Encontro mal organizado e que as palestras beiravam o absurdo. Acho que ele é que deve estar bem bagunçado internamente e ser o absurdo em pessoa, porque qualquer um sentiria, estando lá, que tudo transcorreu muito bem e que muitos nasceram desse Encontro.</p><p>(Wal Santos, <em>Boletim Lua Nova</em>, São Carlos – SP, setembro de 85)</p><p>Eu preciso dormir! Já estou ficando confusa, é informação demais e não dá mais pra assimilar. Só amanhã de manhã é que eu vou conseguir pensar direito.</p><p>(Jornalista da TV Cultura de São Paulo na noite de 30.7.85)</p><p>Centenas de barracas estão espalhadas pela fazenda e o frio é de rachar. Comida, só natural: feijão azuki, arroz integral, bardana, raiz de lótus e sopa de legumes. Não é tão fácil assim ser alternativo.</p><p>(Hélio Belik, <em>Folha de São Paulo</em>, 29.7.85)</p><p>Raiz de lótus? Onde é que tinha? Poxa, só de ler isso já me deu água na boca. Oba! Será que vai ter hoje?</p><p>(Comentário de Maria Rodrigues, professora de Alimentação Natural, Coovida, em 30.7.85)</p><h3>Os anfitriões meditando o dia inteiro?</h3><p>Os devotos acordam às 3h da madrugada, tomam um banho gelado e passam quase todo o dia em meditação. Na entrada da Fazenda, uma placa informa que é proibida a entrada de bebidas alcoólicas, drogas e a prática de “sexo ilícito” (antes do casamento ou que não seja para a procriação). Um hare krshna deve ser fiel, prestativo e cantar mantras hindus.</p><p>(Hélio Belik, <em>Folha de São Paulo</em>, 29.7.85)</p><p>Mesclando trabalho artesanal para venda na cidade com o trabalho agrícola desenvolvido no local, temos em Nova Gokula um organismo social que permite a inclusão de gente “de fora” (que não tem, necessariamente, atividade religiosa ligada à seita dos proprietários devotos de krshna): manutenção de escola que serve também a crianças necessitadas e vizinhos; implantação de projetos importantes como a escola-piloto de Agricultura Ecológica que nasce sob a coordenação do engenheiro Valdo França e de Edson Hiroshi.</p><p>(Ary Pararráios, <em>Correio Braziliense</em>, 3.8.85)</p><h3>Foram todos ao mesmo encontro?</h3><p>Poesia no ar, um verdadeiro happening – paz, amor, e muito som – herança hippie de tempos passados/presentes. Mas (sempre há um, mas) de experiência alternativa rural, nada. N-A-D-A! Por conta própria (justiça se lhe faça) o Valdo França ativou um trabalho de contenção de encostas. (&#8230;) De resto, houve de tudo (&#8230;). Uma onda de amor baixou sobre o acampamento e nunca se amou tanto em tão pouco tempo.</p><p>(Kriyaban George, <em>Boletim Yoga Ananda</em>, Piatã, BA, outubro de 85)</p><p>De enxada em punho, os interessados exercitavam o que ouviam na horta de Nova Gokula e combatiam ali mesmo um trecho atacado pela erosão.</p><p>(Juliana Bueno, <em>Shopping News</em> – SP, 4.8.85)</p><p>Um dos grandes e mais polêmico debate do Encontro foi o dos agrotóxicos. Quando o deputado e também engenheiro agrônomo Walter Lazzarini, autor da lei estadual que regula seu uso em São Paulo, subiu ao palco defendendo a agricultura ecológica e acentuando os danos políticos, sociais e econômicos causados pelas “multinacionais dos venenos agrícolas”, o caso já tinha merecido o estudo de vários pequenos grupos.</p><p>(Ary Pararrários,<em> Correio Braziliense</em>, 3.8.85)</p><p>Chegamos ao IX ENCA no sábado pela manhã. Mas foi tal a desilusão que na segunda-feira já pretendia voltar. O que me fez ficar? A insistência do Ekanatha, do Felipe, do Jamil, do Sarva e de outros e, principalmente, as lágrimas do Gilson. Havia o chamado de uma repórter para uma entrevista na TV e eles não sabiam como fazê-lo. Eu sugeri: “Olha, gente, acho que temos que adiar essa entrevista, nos reunirmos e levantarmos um consenso para que nossa imagem seja positiva e, pela primeira vez, a imprensa tenha uma notícia abalizada, fruto de nossa vivência do que é comunidade”. Dito e feito: levantamos, numa rápida pesquisa, dezoito nomes, dos mais antigos e representativos dentro do movimento. (&#8230;) E foi esta a primeira reunião onde todos saíram felizes. Esta reunião foi a jóia rara do Encontro, foi o que realmente valeu. O resto, desculpem, foi o resto.</p><p>(Hélder Carvalho, <em>Boletim Aurora Espiritual</em>, setembro de 85)</p><p>À tarde reuniram-se os grupos de trabalho – imprensa alternativa, cooperativismo, agricultura ecológica, medicina alternativa, educação alternativa, agrotóxicos e comunidades – e, simultaneamente, diversos cursos aconteciam. (&#8230;) Ninguém se conhecia, mas quando se andava pela fazenda e se cruzava com alguma pessoa, era um cumprimento com olhar profundo e a nítida idéia de já conhecê-la de tempos atrás. Era assim com todos. Ali ninguém andava de cabeça baixa e todos conversavam com todos: repasse de informações, experiências, ideias novas, endereços, amizades profundas. (&#8230;) Os detentores de títulos (médicos, jornalistas, engenheiros, advogados) ali não os possuíam. Tudo acontecia no mesmo nível. De repente você estava conversando, sentado na grama, com alguma outra pessoa que mais tarde você descobriria ser a escritora daquele livro que você leu a respeito de algo alternativo. Todos estavam iguais e a balança equilibrada, correndo tudo tão puramente lindo. À noite, em volta das fogueiras ou assistindo algum show, mais papos rolavam e a lua cheia dava um toque especial nessas horas.</p><p>(<em>Boletim Lua Nova</em>, São Carlos, setembro de 85)</p><h3>Comunidades: alienação x maturidade</h3><p>O trabalho é pesado nas comunidades rurais. Seus integrantes se negam a utilizar agentes químicos para incrementar a produção agrícola. Constroem cataventos, biodigestores, casas de solo-cimento e pirâmides. Não assistem televisão, não lêem jornais e poucas vezes ouvem rádio. São monogâmicos, têm muitos filros e só vão à cidade para a venda de seus produtos. No meio dos alternativos (&#8230;) existem os fanáticos e os voluntários. (&#8230;) Uns vieram de Marte ou de outro planeta para orientar o movimento alternativo. E outros desenvolveram produtos que curam todas as doenças, inclusive a Aids.</p><p>(<em>Folha de São Paulo</em>, 5.8.85)</p><p>Aquela idéia de que alternativo é uma pessoa alienada, pouco séria e irresponsável ficou definitivamente dançada. Alternativo hoje – como sempre foi – é uma pessoa preocupada com os rumos da humanidade, que trabalha e acredita num mundo melhor. (&#8230;) Houve muitas reuniões da comissão organizadora. Nelas pude ver o amadurecimento dos companheiros, apesar das brigas que também presenciei. Eram discussões maduras. A postura radical de alguns foi duramente combatida, mas a legitimidade foi preservada.</p><p>(Regina Sylvia Pugliero, <em>Revista Nave</em>, Niterói, outubro de 85)</p><h3>O folclore das divergências</h3><p>Entre os ruralistas e os grupos cooperativos e ecológicos urbanos existem divergências insuperáveis. (&#8230;) A própria disposição das barracas armadas na Fazenda Nova Gokula revelava as diferenças existentes entre os vários grupos. (&#8230;) Os atritos chegaram a tal ponto que foi decidida a realização de dois encontros no próximo ano.</p><p>(<em>Folha de São Paulo</em>, 5.8.85)</p><p>Quem quiser participar de trabalhos e experiências vivas comparecerá em julho de 86 ao X Encontro de Comunidades em Alto Paraíso, GO. Quem preferir o festival da Cultura Alternativa, fica com o encontro de outubro, em Nova Gokula. Agora temos encontros para todos os gostos e possibilidades. A divisão é apenas aparente. Apesar das divergências e das pulgas atrás das orelhas, estamos unidos. Ou não?</p><p>(Regina Sylvia Pugliero, <em>Revista Nave</em>, Niterói, outubro de 85)</p><p>Mas, teria mesmo que haver a separação? Há necessidade de voltarmos no tempo e acompanhar a marcha dos acontecimentos: (&#8230;) 1982 – VI Encontro – Midifúndio do Professor, Três Marias, MG – A galera (coitadinha, sempre enganada) curtiu de montão as coisas lindas que pintaram no pedaço. (&#8230;) Porém, nos famigerados bastidores, as coisas andaram pobres e a desarmonia foi geral. A luta pelo comando endureceu as mentes de muitos dos nossos. Particularmente, fiz parte da “tchurma do deixa disso” para que as agressões físicas não acontecessem e isso demonstrou que não estávamos psicologicamente preparados. (&#8230;) Era o começo da separação ou, melhor dizendo: CRESCIMENTOS SEPARADOS.</p><p>1983 – VIII Encontro – Vale das Flores, Mirantão, MG – (&#8230;) A idéia de publicidade em veículo de massa não agradava aos pioneiros do movimento. Alegavam que “quando o Encontro fosse um fato público nacional, choveriam aproveitadores, gente oportunista, verdadeiros ratos que se denominavam representantes alternativos”.</p><p>1984 – VIII Encontro – São Lourenço, MG – Com muita publicidade antecedendo, mais de mil pessoas (mais curiosos que alternativos) compareceram ao Festival. O acontecimento foi lindíssimo (&#8230;), mas entre os dirigentes a coisa andou entornando porque o tratado do Encontro anterior não estava sendo cumprido: para surpresa geral – o Encontro deu PREJUÍZO! Levando em conta a honradez dos organizadores, até que me provem o contrário, o Encontro deu prejuízo. Toda esta parafernália só serviu (também) para jogar mais lenha na fogueira separatista.</p><p>(Kriyaban Geoge, <em>Boletim Yoga Ananda</em>, Piatã, BA, setembro de 85)</p><h3>Entre o purismo e a expansão</h3><p>Vimos a necessidade vital de levantarmos uma identidade do movimento, (&#8230;) para que ninguém mais, senão nós mesmos ou alguém por nós autorizado, possa emitir pareceres, veicular notícias ou conceder entrevistas sobre o movimento alternativo e comunitário. (&#8230;) Essa necessidade nos veio porque temos visto, ouvido e lido muitas, mas muitas bobagens sobre o que nós somos. Quem pode responder por você, senão você próprio? Assim, de agora em diante, somente aqueles que estiverem vivendo comunitária e alternativamente têm o privilégio de responder pelo movimento.</p><p>(Hélder Carvalho, líder da Fraternidade Aurora Espiritual e membro do Conselho Deliberativo das Comunidades, no <em>Boletim Aurora Espiritual</em>, setembro de 85).</p><p>É preciso entender que as propostas iniciais (&#8230;) cresceram para muito além dos núcleos rurais e comunitários, atingindo as grandes cidades e o público em geral. Seria no mínimo egoísmo e falta de visão cercear a informação e a veiculação destas idéias, em nome de grupos fechados. A cultura alternativa (&#8230;) é uma força emergente, principalmente quando suas propostas são honestas, viáveis e de baixo custo operacional.</p><p>(Walter Vetillo, em texto original para <em>Vida &amp; Cultura Alternativa</em>, 1985)</p><p>Do jeito que a coisa vai, com tanta publicidade em cima, só falta mesmo a Coca-Cola se a patrocinadora do próximo Encontro, com propagandas em nível nacional, em imensos <em>outdoors</em>, mais ou menos assim: “Coca-Cola mais fresca do que nunca, estará presente no X ENCA! Tchan, tchan, tchan, tchan&#8230; Curta as delícias do X ENCA e vá com Hollywood na jogada!” Tenho pavor a este tipo de coisas. Quero ver meus filhos crescerem livres desta parafernália toda que o Sistemão criou.</p><p>(Jane, de uma comunidade em Pirenópolis, GO, durante um debate em Nova Gokula)</p><h3>Falar a linguagem dos &#8220;caretas&#8221;</h3><p>O encontro das cooperativas rurais e urbanas, as transmissões de programas ambientais em redes piratas (clandestinas) de rádio, a ampliação dos serviços de medicina preventiva, a criação de novas reservas ecológicas, a proibição do uso de agrotóxicos organaclorados em território nacional e ampliação da reforma agrária a todas as terras improdutivas. Estas foram as principais propostas aprovadas no encerramento do IX ENCA.</p><p>(Hélio Belik, <em>Folha de São Paulo</em>, 1º. 8.85)</p><div
id="attachment_331" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"> <a
href="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/gabeira-enca85.jpg"><img
class="size-full wp-image-331" title="gabeira-enca85" src="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/gabeira-enca85.jpg" alt="Fernando Gabeira, IX ENCA, 1985" width="500" height="588" /></a><p
class="wp-caption-text">Fernando Gabeira</p></div><p>O país mudou. Está na hora de sairmos do gueto alternativo. Se nós acreditamos nas propostas e soluções que temos, é hora de aprender a falar a linguagem daquelas pessoas que a gente sempre considerou caretas e criar pontes de comunicação. Os problemas que estamos discutindo não são só nossos, mas de toda a sociedade.</p><p>(Fernando Gabeira, em palestra no dia 30.7.85)</p><p>Nunca se discutiu tanto anteriormente. Nem se aprendeu tanto a necessidade da discussão para um movimento que até pouco tempo encerrava muito ranço da rebeldia herdada dos movimentos hippies da década de sessenta e que agora assume foros de importância além dos guetos de iniciados. (&#8230;) As novas tendências do movimento alternativo se fixaram na intervenção política. E foi assim desde o começo, quando subiram ao palco o assessor especial do governador Franco Montoro, de São Paulo, Carlos Figueiredo, e o secretário de Descentralização e Participação, José Gregori.</p><p>(Ary Pararráios, <em>Correio Braziliense</em>, 3.8.85)</p><p>Resta agora dar sequência a uma proposta importante deste ENCA: torná-lo mais aberto, ampliar o leque da cultura alternativa e tocar mais a cabeça das pessoas. (&#8230;) Todo movimento que pretende fechar-se sobre si mesmo corre o sério risco de perpetuar sua casta de líderes e está fadado a desaparecer.</p><p>(Walter Vetillo, em texto original para<em> Vida &amp; Cultura Alternativa, </em>1985).</p> <span
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isPermaLink="false"></guid> <description><![CDATA[Desde meados dos anos setenta, algumas centenas de pessoas optaram por deixar para trás a vida urbana e experimentar um novo modelo de organização econômica e social nas chamadas comunidades alternativas. A maioria dos grupos teve vida breve. Seus integrantes se dispersaram e muitos voltaram para a cidade. Este artigo de 1985 reflete o clima de reavaliação dos sucessos e fracassos do estilo alternativo de vida, presente nas discussões do IX Encontro Nacional de Comunidades, realizado naquele ano.]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p></p><p
class="destaque">Desde meados dos anos setenta, algumas centenas de pessoas optaram por deixar para trás a vida urbana e experimentar um novo modelo de organização econômica e social nas chamadas comunidades alternativas. Muitos desses grupos tiveram vida breve. Seus integrantes se dispersaram e muitos voltaram para a cidade. Este artigo de 1985 reflete o clima de reavaliação dos sucessos e fracassos do estilo alternativo de vida, presente nas discussões do IX Encontro Nacional de Comunidades Alternativas, realizado naquele ano.</p><p>Para um ecologista urbano, comumente obrigado a dividir-se entre um sem-número de atividades, das quais a militância ecológica é apenas uma, os eventuais fracassos são encarados como acidentes de percurso. Um grupo que se dissolve, um abaixo-assinado que cai no vazio são acontecimentos frustrantes, mas não o suficiente para gerar uma crise de identidade. Para alguém que decidiu largar tudo e criar uma comunidade rural, é bem diferente: o fracasso pode representar uma ameaça a todo um projeto de vida.</p><p>É preciso lembrar que as comunidades rurais vivem uma vida alternativa 24 horas por dia. Elas representam a mais radical postura de rompimento com as contradições da moderna sociedade industrial e, em conseqüência, a mais difícil de ser levada a cabo. Trata-se de criar um estilo de vida novo, a partir do zero, e muitos dos que foram para o campo ao longo dos últimos dez anos tiveram de enfrentar simultaneamente as dificuldades da convivência grupal, do isolamento e da sobrevivência em uma realidade econômica totalmente adversa.</p><p>Os Encontros de Comunidades são de uma importância vital para estas pessoas: representam uma oportunidade única de reavaliação de uma opção vivencial pioneira, difícil e corajosa. Em nenhuma outra parte houve tanta expectativa, tanta tensão e tanta necessidade de botar pra fora a emoção guardada, neste IX ENCA, quanto nas reuniões da tribo das comunidades. Antes de tudo, era a necessidade de reencontrar, nos olhos dos companheiros, a certeza de que a utopia aquariana continua viva, de que tudo o que foi vivido valeu a pena.</p><p>Os ecologistas urbanos e as cooperativas, que não viviam o mesmo clima emocional, puderam ser mais produtivos e obtiveram – merecidamente – as honras de estrelas da festa. A tribo rural viu-se de repente cercada por toda aquela gente nova, cheia de propostas de participação política e sem nenhum compromisso de fidelidade com relação aos sonhos pós-hippies dos alternativos da década de setenta. O isolacionismo da tribo não foi uma alienada recusa dos novos tempos: foi uma atitude de autopreservação, que deve ser compreendida e respeitada. Mas as comunidades rurais precisam encarar de frente, também, o fato de que a discussão das propostas alternativas saiu do circuito fechado e circula hoje por toda a sociedade. Por trás da divulgação de visões folclóricas e estereotipadas, em que se compraz a grande imprensa, existem indicadores de um sincero interesse pelo modo de vida desses “malucos que vão pro mato pra meditar e comungar com a natureza”.</p><p>A questão das divergências também não deve ser exagerada. A perniciosa utopia de uma unidade mítica entre os alternativos faz com que pequenas diferenças de opinião sejam vistas como verdadeiras calamidades. Neste ponto, o Encontro serviu para abrir os olhos: a vida alternativa tem mil caminhos e cada cabeça é uma cabeça. Os pontos de contato podem ser poucos. Mas tão decisivos e essenciais que, em torno deles, os ecologistas, os cooperativistas, os místicos, os naturalistas e as comunidades rurais podem continuar se encontrando, discutindo, fazendo planos – e sonhando juntos.</p> <span
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isPermaLink="false"></guid> <description><![CDATA[Aconteceu em 12 de junho o EcoArraial 2010, um evento comprometido com a qualidade de vida e o meio ambiente. Dessa vez o tema foi <strong>Cidades em crise, saída sustentável</strong>. Os problemas todos já conheciam. Os palestrantres discutiram as soluções possíveis. ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p></p><p>Aconteceu em 12 de junho o EcoArraial 2010, um evento comprometido com a qualidade de vida e o meio ambiente. Dessa vez o tema foi <strong>Cidades em crise, saída sustentável</strong>. Os  problemas todos já conheciam. Os palestrantres discutiram as soluções possíveis. A programação tratou de epidemias urbanas, como dengue e rotavírus, aproveitamento de garrafas pet e de água de chuva e reciclagem de sucata como forma de geração de renda.</p><h3>Programação</h3><p>9h30 &#8211; <strong>Café da manhã comunitário</strong>.</p><p>10h &#8211; <span
style="color: #800080;"><strong>Dengue, Gripe Suína, Rotavírus e outras ameaças: o que pais e mães precisam saber</strong></span> &#8211; Dicas práticas voltadas para pais, mães e avós preocupados. Como prevenir, como reconhecer uma situação de risco e aonde levar a criança.</p><blockquote><p>Com Oscarino Barreto Jr., médico, especialista em Medicina de Família e Comunidade (MFC) pela SBMFC. Presidente da Associação de Medicina de Família e Comunidade do Estado do Rio de Janeiro. 1º Secretário da SBMFC. Membro da Câmara Técnica de MFC do CREMERJ e do CFM.</p></blockquote><p>11h &#8211; <span
style="color: #800080;"><strong>Oficina prática de sucos saudáveis</strong></span> &#8211; Já experimentou suco de couve com maracujá e limão? E suco de inhame com limão? Então, chegou a hora: vai fazer bem para a saúde de toda a família e mais ainda para o seu bolso.</p><blockquote><p>Com Juliana Paulo e Silva, nutricionista da Estratégia Saúde da Família/Instituto de Nutrição Annes Dias, da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro. Sanitarista pelo IESC/UFRJ e Mestranda pela ENSP/FIOCRUZ.</p></blockquote><p>12h &#8211; <span
style="color: #800080;"><strong>Francisco, o ambientalista de Assis</strong></span> &#8211; Francisco de Assis, em plena Idade Média, antecipou diversos conceitos hoje adotados por todos os ambientalistas. Uma apresentação multimídia mostra as inesperadas conexões entre o pensamento franciscano e as ideias discutidas na Conferência de Copenhague sobre o aquecimento global.</p><p
style="padding-left: 30px;">Com o Grupo de trabalho EcoArraial, equipe multidisciplinar responsável pelo planejamento do evento.</p><p
style="text-align: center;"><a
href="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/ecoarraial2010_v3web.jpg" target="_blank"><img
class="aligncenter size-full wp-image-285" title="ecoarraial2010_v3web" src="http://www.aldeiaplanetaria.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/ecoarraial2010_v3web.jpg" alt="EcoArraial 2010" width="480" height="535" /></a></p><p>13h45 &#8211; <span
style="color: #800080;"><strong>O uso de garrafas pet para a confecção de coletores solares</strong></span> &#8211; O descarte irresponsável de garrafas pet é uma das principais causas do entupimento de bueiros e galerias, contribuindo para o agravamento das enchentes. Descubra como as garrafas podem ser aproveitadas para a construção de aquecedores solares baratos e eficientes.</p><blockquote><p>Com Carlos Eduardo dos Santos Leal, Doutor em Física, MBA em Meio Ambiente e professor associado da Faculdade de Engenharia da UERJ.</p></blockquote><p>14h45 -<span
style="color: #800080;"> <strong>Água, o desafio do uso eficiente</strong></span> &#8211; O uso mais nobre que podemos dar à água seria transportar o esgoto das grandes metrópoles? Quanta água potável efetivamente nos resta? E o que podemos fazer para evitar o colapso?</p><blockquote><p>Com Ignez Muchelin Selles &#8211; Arquiteta pela UFRJ e Mestre em Engenharia Ambiental pela UERJ.</p></blockquote><p>15h45 &#8211; <span
style="color: #800080;"><strong>Encantadores de sucata</strong></span> &#8211; Transformar materiais em desuso em fonte de receita não é privilégio da imaginação dos autores de novela. Hoje, cada vez mais gente vive de reciclagem, uma atividade que exige criatividade e talento. Conheça algumas experiências bem sucedidas e algumas ideias para começar o seu próprio negócio.</p><blockquote><p>Com Maristela Pessoa, ecodesigner formada pela ESDI com habilitação em Programação Visual e Design de produtos. Fundadora da Associação Santa Sucata e sócia da empresa Flecha Design. Consultora de Design do Sebrae RJ, nas áreas de Inovação e Tecnologia e Economia Criativa.</p></blockquote><p>17h &#8211; <span
style="color: #800080;"><strong>Tirando partido da chuva</strong></span> &#8211; O aproveitamento da água de chuva é uma forma inteligente de resolver o desafio do suprimento doméstico e ao mesmo tempo mitigar o risco de enchentes. Descubra como é possível adaptar sua casa ou seu condomínio para uma solução ambientalmente correta.</p><blockquote><p>Com Romualdo Ayres Costa, publicitário com MBA em Marketing pela PUC/RJ. Foi Consultor da ABADI, da Incubadora de Empresas de Tecnologia da PUC-RJ e da Fundação Getúlio Vargas. Diretor da Cosch – Soluções Ambientais Sustentáveis e da Rede Construção Sustentável, ONG voltada para a incorporação da sustentabilidade na cadeia produtiva da Construção Civil.</p></blockquote> <span
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isPermaLink="false"></guid> <description><![CDATA[A Vivência da Primavera é um um seminário transdisciplinar, com programação variada e entrada franca, de que já participaram mais de uma centena de palestrantes. Três núcleos temáticos servem de ponto de partida para a organização do evento: medicina alternativa, propostas de promoção social e saberes holísticos. Nesta seção, você pode consultar o que aconteceu nos últimos 20 anos e ter uma ideia mais ampla do universo das terapias alternativas e das soluções compatíveis com a preservação da vida e da natureza.]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p></p><p>A Vivência da Primavera é um um seminário transdisciplinar, com programação variada e entrada franca, de que já participaram mais de uma centena de palestrantes. Três núcleos temáticos servem de ponto de partida para a organização do evento: medicina alternativa, propostas de promoção social e saberes holísticos. Nesta seção, você pode consultar o que aconteceu nos últimos 20 anos e ter uma ideia mais ampla do universo das terapias alternativas e das soluções compatíveis com a preservação da vida e da natureza.</p><p>O evento é realizado anualmente desde 1990, quase sempre no mês de outubro. A organização cabe à Casa de Francisco de Assis, tradicional  ONG do bairro carioca de Laranjeiras, com o apoio de outras  entidades ambientalistas, núcleos de terapias naturais e instituições de  pesquisa. De forma geral, a programação da Vivência da Primavera é organizada em torno dos seguintes eixos temáticos:</p><ul><li><strong>Saúde e qualidade de vida</strong> – com ênfase em recursos terapêuticos de baixo custo e não agressivos, como homeopatia, acupuntura e fitoterapia.</li></ul><ul><li><strong>Promoção Social</strong> – com apresentação e discussão de técnicas e propostas de enfrentamento de problemas como a dependência química, a violência e as várias formas de exclusão social.</li></ul><ul><li><strong>Filosofia e Religião</strong> – com base numa perspectiva holística e de respeito às diferenças, a Vivência da Primavera já abriu espaço para uma grande variedade de tendências filosóficas e religiosas que têm em comum o respeito à vida e à pluralidade de convicções.</li></ul><p>A primeira Vivência, em 1990, foi também a única com cobrança de ingressos. O objetivo era levantar fundos para as obras de reforma da sede da CFA, com vistas à construção de uma creche comunitária. A partir do ano seguinte, e já com as obras em andamento, optou-se por transformá-la num evento gratuito e aberto à ampla participação da comunidade. A variedade sempre foi a marca registrada da programação: ao lado de palestrantes oriundos de grandes universidades e de instituições de pesquisa como a Fundação Oswaldo Cruz e o Observatório Nacional, a Vivência sempre reservou espaço para as chamadas paraciências, como a kirliangrafia, e para os saberes preservados pela cultura popular, como a fitoterapia dos mateiros e raizeiros.</p><p>Registramos aqui a programação completa de todos os eventos não apenas como resgate da memória da instituição promotora, mas também como uma sugestão de temas e palestrantes para eventos semelhantes, em outras instituições.</p> <span
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